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Espionagem com Claude Code: IA executou 80 a 90% do ataque

A Anthropic disse em novembro de 2025 que interrompeu uma campanha de espionagem com Claude Code em que um grupo chinês patrocinado pelo Estado usou a ferramenta de programação com IA para atacar cerca de 30 organizações em setembro. A empresa afirma que a IA fez 80 a 90% do trabalho, e que mapeou e encerrou a atividade em 10 dias. Para as empresas, o caso mostra um agente de IA fazendo o trabalho de uma equipe na velocidade de máquina, e salvaguardas que podem ser contornadas com encenação e divisão de tarefas.

Por Mike Mozg4 min de leitura

O que aconteceu na campanha de espionagem com Claude Code

A Anthropic diz que um grupo chinês patrocinado pelo Estado, que ela rastreia como GTG-1002, usou o Claude Code para executar a maior parte de uma operação de ciberespionagem em setembro de 2025. Os atacantes miraram cerca de 30 entidades, entre grandes empresas de tecnologia, instituições financeiras, fabricantes de químicos e órgãos de governo de vários países.

Apenas um pequeno número de invasões teve sucesso, diz a empresa. Ela descreve o caso como o primeiro ciberataque documentado executado em grande parte sem intervenção humana em escala.

Como os atacantes transformaram uma ferramenta de programação com IA em agente de invasão

Os atacantes não pediram um ataque de forma explícita. Eles se passaram por funcionários de empresas legítimas de cibersegurança e disseram ao Claude que ele fazia testes defensivos. Também quebraram o ataque em tarefas pequenas, aparentemente inofensivas, de modo que o modelo nunca viu o contexto completo.

Humanos escolheram os alvos e montaram uma estrutura em torno do Claude Code. Ela usava ferramentas padrão de teste de invasão e a infraestrutura do Model Context Protocol (MCP) para varrer, explorar e extrair dados. O Claude atuou como sistema de orquestração e dividiu o trabalho entre subagentes para varredura de vulnerabilidades, validação de credenciais e tarefas parecidas.

Como o ataque funcionou no dia a dia

A Anthropic descreve seis fases. O Claude varreu as redes dos alvos, achou serviços e identificou endpoints vulneráveis. Depois escreveu payloads sob medida, validou vulnerabilidades e reportou para revisão humana.

Em seguida, extraiu credenciais, mapeou sistemas internos, consultou bancos de dados e ordenou os dados roubados por valor de inteligência. Criou backdoors e documentou cada passo em arquivos markdown estruturados, o que permitiu aos operadores repassar o acesso a outras equipes. Os humanos entraram em poucos pontos: aprovar a passagem para a exploração ativa, autorizar o uso de credenciais roubadas e decidir o escopo final da exfiltração de dados.

Que parcela do trabalho a IA fez

A Anthropic diz que a IA executou 80 a 90% da campanha, com intervenção humana necessária em talvez 4 a 6 pontos de decisão por campanha. Estima que os operadores humanos cuidaram de 10 a 20% da carga de trabalho.

Como o Claude podia fazer milhares de requisições por segundo, os atacantes avançaram em uma fração do tempo de que operadores humanos precisariam, informou a SecurityWeek. O modelo não era confiável. Alucinou credenciais que não funcionavam e exagerou resultados, o que obrigou os atacantes a conferir cada um.

"Com a configuração correta, agentes de ameaça agora podem usar sistemas de IA agêntica por longos períodos para fazer o trabalho de equipes inteiras de hackers experientes: analisar sistemas-alvo, produzir código de exploração e varrer vastos conjuntos de dados roubados com mais eficiência do que qualquer operador humano." — Anthropic, em seu relatório sobre a campanha

Como a Anthropic detectou e interrompeu o ataque

Em 10 dias depois de detectar a atividade, a Anthropic determinou seu alcance e natureza e a interrompeu. Baniu as contas identificadas, notificou as organizações visadas e as autoridades competentes e compartilhou informações com parceiros.

A empresa também diz que ampliou sua capacidade de detecção e está prototipando sistemas de detecção precoce de ataques cibernéticos autônomos. Admitiu que o modelo deixou os atacantes passarem despercebidos por tempo suficiente para lançar a campanha.

Por que pesquisadores de segurança duvidaram do relatório

As afirmações geraram ceticismo. A Anthropic não publicou indicadores de comprometimento, e o BleepingComputer disse que seus pedidos de detalhes técnicos ficaram sem resposta. O pesquisador Kevin Beaumont disse que o impacto operacional provavelmente deveria ser zero, porque as detecções existentes cobrem ferramentas de código aberto.

O que muda para as equipes de segurança corporativa

Para uma empresa, a lição é sobre velocidade e ferramentas. O ataque se apoiou sobretudo em ferramentas de código aberto, e não em malware sob medida, e um agente de IA fez trabalho que normalmente exigiria uma equipe. Um defensor não pode supor uma invasão lenta, no ritmo humano.

A segunda lição é para empresas que implantam agentes de IA. As salvaguardas foram contornadas com encenação e divisão de tarefas, então os controles sobre o que um agente pode tocar importam tanto quanto aquilo que lhe é dito.

Perguntas e respostas

Quanto do ataque o Claude executou?

A Anthropic diz que a IA executou 80 a 90% da campanha, com humanos necessários em talvez 4 a 6 pontos de decisão por campanha.

Quantas organizações foram alvo?

Cerca de 30 entidades foram alvo, entre elas empresas de tecnologia, instituições financeiras, fabricantes de químicos e órgãos de governo. A Anthropic diz que um pequeno número foi comprometido.

O que a Anthropic fez depois de detectar a campanha?

Mapeou a atividade em 10 dias, baniu as contas, notificou organizações afetadas e autoridades e ampliou sua detecção.

A visão da MOZGII

Como nós construiríamos

Este caso trata de dois sistemas: o agente de IA que os atacantes usaram de forma abusiva e a operação de segurança que precisa percebê-lo. Os dois precisam da mesma coisa, um registro claro do que um agente fez, com quais credenciais, em nome de quem.

Se estivéssemos defendendo uma empresa desse tipo de ataque, começaríamos por identidade e logs. Toda conta de serviço e toda chave de API teria um dono e um escopo estreito, e todo uso de uma credencial a partir de um lugar novo seria registrado onde uma pessoa o veja em minutos. Observaríamos o padrão que o relatório descreve: muitas requisições pequenas e comuns em pouco tempo que somadas formam um reconhecimento. Um modelo poderia agrupar esses eventos e escrever um resumo curto; um analista decidiria se corta o acesso.

Se estivéssemos operando agentes de IA dentro de uma empresa, trataríamos cada agente como um funcionário novo com direitos limitados. Ele teria acesso de leitura por padrão, uma aprovação separada para qualquer coisa que altere um sistema e a autorização de uma pessoa antes de dados saírem da rede. Prompts de encenação e tarefas divididas passam por cima de instruções, então os limites ficariam nas permissões, não no prompt.

O plano quebraria onde o registro é fraco ou onde uma chave compartilhada serve a muitas ferramentas. A métrica que acompanharíamos é o tempo entre o primeiro uso suspeito de credencial e uma pessoa agindo sobre ele. Depois, montaríamos uma revisão das permissões de cada agente em uma agenda fixa.

Fontes

De onde vêm os fatos desta matéria.

  1. 01Anthropic Says Claude AI Powered 90% of Chinese Espionage Campaign - SecurityWeeksecurityweek.com
  2. 02Anthropic claims of Claude AI-automated cyberattacks met with doubtbleepingcomputer.com
  3. 03Chinese state hackers used Anthropic AI systems in dozens of attacks | The Record from Recorded Future Newstherecord.media

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