Data center do Google em Wilbarger: contratos de 20 anos
O data center do Google em Wilbarger, no condado de Wilbarger, norte do Texas, anunciado em 24 de fevereiro de 2026, usará novas usinas de energia limpa que a AES constrói, possui e opera ao lado do site, numa série de contratos de compra de energia de 20 anos. A AES já garantiu o terreno e a interconexão com a rede. Para empresas que planejam grandes sites de computação, o acordo mostra um modelo que começa pela energia, em que o fornecimento é contratado e construído junto com o prédio, de modo que o data center entra em operação com a sua própria energia.
Por que o Google quer energia construída ao lado do novo site no Texas
O Google quer um grande data center novo sem sobrecarregar a rede local nem as contas de luz da região. Segundo o Google, o site ficará no mesmo local, ou perto, de novas usinas de energia limpa, o que, disse a empresa, reduzirá a necessidade de nova infraestrutura e fará melhor uso da rede existente.
O momento importa. O debate sobre quem paga a energia que os data centers consomem cresce nos EUA. O presidente Trump disse em janeiro que os data centers devem pagar a própria conta para não elevar os preços da eletricidade, e Microsoft, OpenAI e Anthropic prometeram "pagar a própria conta". Amanda Peterson Corio, chefe global de energia de data centers do Google, disse que a parceria com a AES traz nova geração ao lado do site "para minimizar o impacto na rede local e proteger a acessibilidade da energia".
O que a AES e o Google acertaram em Wilbarger
As duas empresas assinaram uma série de contratos de compra de energia de 20 anos ligados às usinas no mesmo local. A AES já garantiu o terreno e os acordos de interconexão de que o projeto precisa, e disse que construirá a infraestrutura elétrica compartilhada do campus.
A AES será dona e operadora dos ativos de geração. Pelo contrato de gestão de energia de longo prazo, também prestará ao data center serviços de fornecimento, otimização de custos e correlatos. O Google não deu um cronograma de obras. O condado de Wilbarger fica no norte do Texas, e sua sede é Vernon.
Como funciona a abordagem "energia primeiro"
O Google chama o modelo de "energia primeiro": o data center entra em operação junto com as usinas construídas para ele, em vez de esperar que uma concessionária amplie a capacidade. A energia e o prédio são planejados como um só projeto desde o início.
A água é a segunda escolha de projeto. Depois de pronto, o data center deve usar refrigeração a ar avançada, limitando o uso de água a operações do campus, como cozinhas. O Google também se comprometeu a repor mais água do que consome e a trabalhar com a Texan by Nature e a Texas Water Trade na saúde das bacias hidrográficas do estado.
"Nossa parceria ampliada com o Google mostra como a AES pode acelerar o desenvolvimento de data centers ao entregar terreno energizado e energia em escala." — Andrés Gluski, presidente e CEO da AES
Quanta energia a AES já vende a data centers
A AES tem histórico nesse mercado, pela própria contagem. Gluski disse que a AES já assinou acordos para quase 12 GW de energia com clientes de data centers e que 9 GW deles são contratos de compra de energia assinados diretamente com hyperscalers. A empresa se descreve como líder mundial em soluções de energia para empresas de tecnologia.
O site de Wilbarger se soma a uma parceria ampliada com o Google, e não inicia uma nova.
O que o acordo muda para quem constrói data centers
Para uma empresa que planeja um grande site de computação, o acordo mostra um jeito de comprar "terreno energizado": um site em que terreno, conexão à rede e geração são organizados por um só parceiro de energia. O operador do data center assina contratos de longo prazo e entrega a geração, o fornecimento e a gestão de custos a um especialista.
Isso importa mais onde a capacidade da rede é o gargalo. Construir a geração ao lado da carga, como diz o Google, reduz a necessidade de nova infraestrutura de rede. Também dá ao operador uma resposta a comunidades e reguladores que perguntam se um novo campus vai elevar as tarifas dos outros clientes.
O Google usa modelos diferentes em estados diferentes. No mesmo dia, anunciou um acordo com a Xcel Energy em Minnesota para 1,9 gigawatt de energia para um data center em Pine Island, financiado por uma tarifa e não por usinas no mesmo local. No Texas, o Google já opera campi em Midlothian e Red Oak, tem dois sites em construção nos condados de Armstrong e Haskell e, em novembro passado, se comprometeu a investir 40 bilhões de dólares no estado até 2027.
Perguntas e respostas
Quem será dono das usinas no site de Wilbarger?
A AES será dona e operadora dos ativos de geração. Também construirá a infraestrutura elétrica compartilhada e prestará ao data center serviços de fornecimento, otimização de custos e correlatos, pelo contrato de gestão de energia de longo prazo.
Quando o data center do Google em Wilbarger vai abrir?
O Google não disse. A empresa não deu um cronograma de obras e afirmou apenas que o data center entrará em operação junto com a infraestrutura de energia no mesmo local.
Quanta água o data center vai usar?
O Google diz que a refrigeração a ar avançada eliminará o uso operacional de água, limitando-a a necessidades do campus, como cozinhas. A empresa também se comprometeu a repor mais água do que consome no Texas.
A visão da MOZGII
Como nós construiríamos
O difícil de um data center com usinas no mesmo local não é o contrato. É casar uma carga de computação fixa com usinas que podem produzir energia de forma irregular ao longo do dia. Começaríamos pela previsão de carga: quanta energia o data center consome a cada hora e com que rapidez isso cresce conforme chegam novos servidores. Essa previsão decide quanta geração e armazenamento o parceiro de energia precisa construir, e é o número que as duas partes revisitariam a cada trimestre.
Daríamos ao contrato de gestão de energia uma equipe operacional própria no lado do data center. Sua tarefa seria ler os dados horários de oferta e demanda, comparar com o que os contratos prometem e sinalizar qualquer lacuna antes que ela vire compra de energia da rede em horário de pico. Um modelo simples que preveja a falta do dia seguinte a partir do clima e da agenda dos servidores ajudaria essa equipe a planejar quais cargas deslocar.
O ponto de quebra é a passagem de bastão entre duas empresas. Se o operador e o parceiro de energia veem cada um só metade dos dados, os problemas aparecem tarde. Criaríamos uma visão compartilhada de oferta, carga e custo que os dois possam ler.
A métrica que acompanharíamos é a parcela da demanda horária do data center atendida pelas usinas no mesmo local. Se ela cair, ou as usinas estão curtas ou a carga passou do plano. Depois, acrescentaríamos o lado da água à mesma visão, já que o projeto de refrigeração a ar também tem metas a conferir.
Fontes
De onde vêm os fatos desta matéria.
- 01Google to develop 'clean energy' colocated data center in Wilbarger County, Texas - DCDdatacenterdynamics.com
- 02With Form Energy deal, Google’s clean transition tariff is growing up | Latitude MediaWith Form Energy deal, Google’s clean transition tariff is growing up | Latitude Medialatitudemedia.com