Acordos nucleares da Meta garantem até 6,6 GW para IA
Os acordos nucleares da Meta, anunciados em 9 de janeiro de 2026 com Vistra, Oklo e TerraPower, podem sustentar até 6,6 GW de capacidade nuclear nova e existente até 2035 para os data centers de IA da Meta, incluindo o supercluster Prometheus, em New Albany, Ohio. Eles combinam contratos de 20 anos com usinas em operação e financiamento inicial para reatores avançados. Para qualquer empresa que planeje grandes cargas de energia, o caso mostra um comprador assumindo o risco inicial dos projetos para garantir fornecimento ininterrupto.
Por que a Meta foi atrás de energia nuclear
Os data centers de IA da Meta precisam de eletricidade que funcione sem parar, e só eólica e solar não a fornecem. No Relatório de Sustentabilidade de setembro de 2025, a empresa disse que as instalações de nova geração estão sendo projetadas para as próximas gerações de crescimento da IA, com cargas elétricas maiores, mais constantes e de maior densidade. Isso a levou à energia limpa firme, para ficar ao lado das renováveis.
A escala já existente mostra por que este é um passo maior. A Meta apoiou quase 28 GW de projetos de energia limpa em 27 estados americanos e contratou mais de 12 GW de energia renovável no mundo. Suas compras anteriores de energia firme eram menores, como o acordo de agosto de 2024 com a Sage Geosystems por até 150 MW de energia geotérmica a partir de 2027.
Como o pedido de propostas nuclear da Meta preparou os acordos
Os três acordos saíram de um pedido de propostas que a Meta anunciou em 3 de dezembro de 2024, buscando de 1 GW a 4 GW de nova geração nuclear para entrega a partir do início da década de 2030. A Meta explicou a abordagem na época: projetos nucleares exigem mais capital, levam mais tempo para ser desenvolvidos e têm mais regulação do que solar ou eólica, então o comprador precisa entrar mais cedo no desenvolvimento e desenhar os contratos em torno de suas necessidades operacionais.
O que a Meta comprou da Vistra, da Oklo e da TerraPower
Em 9 de janeiro de 2026, a Meta anunciou três acordos que, juntos, podem sustentar até 6,6 GW de capacidade nuclear nova e existente até 2035.
- Vistra: contratos de compra de energia de 20 anos para 2.176 MW de energia e capacidade das usinas Perry e Davis-Besse, em Ohio, mais 433 MW de aumentos de potência em Perry, Davis-Besse e Beaver Valley, na Pensilvânia. A POWER os chama de os maiores aumentos de potência nuclear já apoiados por um cliente corporativo.
- Oklo: pagamentos antecipados da Meta para ajudar a garantir combustível e iniciar obras de um campus de reatores rápidos Aurora de até 1,2 GW em Pike County, Ohio, com implantação em fases a partir de 2030.
- TerraPower: financiamento para dois reatores Natrium que podem gerar energia até 2032, com direitos sobre a energia de até outros seis até 2035. A TerraPower avalia o programa completo de oito reatores em 2,8 GW de capacidade de base, combinados com 1,2 GW de armazenamento.
A energia sustenta a rede que atende o Prometheus, o supercluster de IA que a Meta constrói em New Albany, Ohio, e que ela espera pôr em operação em 2026. A Meta não revelou termos financeiros.
Quão firme é, de fato, o número de 6,6 GW
Só parte da capacidade existe hoje. As usinas da Vistra são reatores em operação; os projetos da Oklo e da TerraPower ainda estão em desenvolvimento, e o Latitude Media observa que nenhuma das duas empresas obteve da Comissão Reguladora Nuclear as licenças de construção de seus reatores avançados. As datas de 2030 e 2032 são metas, não resultados. A Meta reconhece o risco.
"Sabemos muito bem que o cronograma é desafiador, mas achamos importante ser ousado." — Urvi Parekh, diretora de energia global da Meta, ao Wall Street Journal
Os investidores reagiram no mesmo dia: as ações da Vistra subiram 10% e as da Oklo 8%, enquanto a Meta fechou 1% mais alta, informou a CNBC.
O que os acordos nucleares da Meta significam para empresas com grandes cargas de energia
Para qualquer empresa que planeje grandes cargas de data center ou industriais, o caso mostra um comprador assumindo parte do risco inicial do desenvolvedor para obter energia firme. Os pagamentos antecipados à Oklo e os contratos longos com a Vistra dão aos fornecedores o que a Meta chama de maior certeza de negócio para captar capital, enquanto a Meta garante o fornecimento anos antes da necessidade. A Meta também diz que paga o custo integral da energia que seus data centers usam, para que outros clientes não o arquem.
Os acordos seguem o contrato de 20 anos da Meta, de junho de 2025, pelo Clinton Clean Energy Center, de 1.121 MW, em Illinois. Juntos, diz o diretor global de assuntos corporativos da Meta, Joel Kaplan, eles fazem da Meta uma das compradoras corporativas de energia nuclear mais importantes da história americana.
Perguntas e respostas
Quanta energia nuclear a Meta contratou?
A Meta diz que os três acordos podem sustentar até 6,6 GW de energia limpa nova e existente até 2035, incluindo 2.176 MW de usinas existentes da Vistra e 433 MW de aumentos de potência.
Que data center a energia nuclear vai sustentar?
A energia sustenta a rede que atende o Prometheus, o supercluster de IA da Meta em construção em New Albany, Ohio.
Quando os novos reatores entram em operação?
Os primeiros reatores da Oklo podem começar já em 2030, e dois reatores Natrium da TerraPower podem gerar energia até 2032. As duas datas são metas; nenhuma das empresas recebeu ainda licença de construção da NRC para esses reatores avançados.
A visão da MOZGII
Como nós construiríamos
Um contrato nuclear longo é uma previsão de quanta energia uma empresa vai precisar daqui a dez anos. Se estivéssemos planejando a energia de um campus de IA, começaríamos por um modelo de carga: quantos racks cada prédio terá, quando cada um entra em operação e quanto da carga precisa funcionar em todas as horas do dia. Esse modelo decidiria quanta energia firme comprar e quanto pode vir de eólica, solar e armazenamento.
Depois vem o portfólio de contratos. Manteríamos um registro único de cada acordo de fornecimento: a usina, os megawatts, a data de início, as licenças que faltam ao desenvolvedor e o que acontece se a data atrasar. Um time pequeno de energia e finanças revisaria esse registro a cada trimestre contra o cronograma de obras dos data centers. O ponto fraco é o prazo. Um reator que chega dois anos atrasado deixa um data center pronto esperando energia, e o paliativo costuma ser caro.
A métrica que acompanharíamos é a diferença, mês a mês, entre a energia firme contratada que de fato está sendo entregue e a carga que precisa dela. Ela mostra cedo quando um cronograma está escorregando.
O que construiríamos em seguida é um modelo simples que testa cada novo plano de data center contra atrasos em cada acordo de fornecimento, para a empresa saber qual prédio está em risco antes de se comprometer com o terreno e os chips.
Fontes
De onde vêm os fatos desta matéria.
- 01Meta Locks In Up to 6.6 GW of Nuclear Power Through Deals With Vistra, Oklo, and TerraPowerpowermag.com
- 02Meta strikes 6.6 GW nuclear deal to fuel its AI ‘supercluster’ | Latitude MediaMeta strikes 6.6 GW nuclear deal to fuel its AI ‘supercluster’ | Latitude Medialatitudemedia.com
- 03Meta signs nuclear energy deals to power Prometheus AI superclusterStock Chart Iconcnbc.com