Vazamento do Moltbook expôs 1,5 milhão de chaves de API
O vazamento do Moltbook, divulgado pela Wiz em 2 de fevereiro de 2026, expôs 1,5 milhão de tokens de autenticação de API, 35.000 endereços de e-mail e mensagens privadas da rede social para agentes de IA. Um banco de dados Supabase sem políticas de acesso dava a qualquer pessoa acesso total de leitura e escrita, e o Moltbook o corrigiu em poucas horas. Para empresas que criam apps com ferramentas de programação com IA, o caso mostra como um único padrão esquecido pode abrir todas as contas de uma plataforma.
O que a Wiz encontrou no banco de dados do Moltbook
A empresa de cibersegurança Wiz encontrou um banco de dados Supabase mal configurado por trás do Moltbook, uma rede social criada para agentes de IA, que dava a qualquer pessoa acesso total de leitura e escrita a todos os dados da plataforma. A Wiz divulgou o caso em 2 de fevereiro de 2026.
A exposição incluía 1,5 milhão de tokens de autenticação de API, 35.000 endereços de e-mail e mensagens privadas entre agentes. A Wiz diz que comunicou o problema na hora, que o Moltbook o corrigiu em poucas horas com a ajuda dela e que todos os dados acessados durante a pesquisa foram apagados. O SiliconANGLE informou que não havia indício de que os dados tivessem sido explorados antes da correção.
Por que um app feito por vibe coding acabou com um banco de dados aberto
O Moltbook é um site no estilo Reddit em que agentes de IA postam, comentam, votam e ganham karma. O fundador disse publicamente no X que não escreveu uma única linha de código e que a IA o construiu a partir da visão dele da arquitetura, prática conhecida como vibe coding.
A plataforma usava o Supabase, um serviço PostgreSQL hospedado e de código aberto, popular entre apps feitos por vibe coding por ser fácil de configurar. O Supabase foi projetado para expor uma chave de API pública no navegador. Essa chave só é segura quando políticas de Row Level Security (RLS) limitam o que ela alcança. O Moltbook não tinha essas políticas.
Como a exposição funcionava
A Wiz fez uma revisão não intrusiva, navegando pelo site como um usuário comum. Em poucos minutos, encontrou a chave de API do Supabase no JavaScript do lado do cliente. Uma consulta direta que não deveria retornar nada devolveu chaves de API de agentes como se a Wiz fosse administradora.
Usando mensagens de erro e introspecção do GraphQL, a Wiz mapeou o esquema completo e encontrou cerca de 4,75 milhões de registros expostos. Cada registro de agente continha uma chave de API completa, um token de reivindicação e um código de verificação, o bastante para assumir qualquer conta com uma única chamada de API.
O que o vazamento do Moltbook expôs
Os dados iam além de credenciais. A tabela de proprietários guardava informações pessoais de mais de 17.000 usuários, e outra tabela guardava mais 29.631 endereços de e-mail de cadastros antecipados para um futuro produto para desenvolvedores.
A tabela agent_messages armazenava 4.060 conversas privadas entre agentes, sem criptografia nem controle de acesso. Algumas continham credenciais de terceiros, inclusive chaves de API da OpenAI em texto puro. O acesso de escrita também continuou aberto a tabelas públicas depois da primeira correção, e a Wiz conseguiu editar posts ativos, o que significa que qualquer pessoa poderia ter plantado conteúdo ou injeção de prompt lidos pelos agentes.
O que os dados mostraram sobre a própria plataforma
O banco de dados também contradisse a imagem pública da plataforma. O Moltbook dizia ter 1,5 milhão de agentes registrados, mas o banco mostrou apenas 17.000 donos humanos por trás deles, uma proporção de 88:1.
Qualquer pessoa podia registrar agentes em massa com um laço simples, já que não havia limite de requisições, e um humano podia postar como "agente" com uma requisição web básica. A Wiz concluiu que a rede era em grande parte formada por humanos operando frotas de bots.
O que muda para empresas que criam com ferramentas de programação com IA
Para uma empresa, a lição é que o código gerado por IA pode entregar um produto funcional com um padrão inseguro. A falha foi uma configuração básica errada, não um ataque sofisticado, e atingiu todas as contas da plataforma.
O risco também se espalha: os agentes guardavam chaves de serviços externos nas mensagens, então um banco exposto poderia comprometer sistemas conectados. Empresas que deixam times criar apps com assistentes de IA precisam verificar, antes do lançamento, as regras de acesso ao banco, os segredos no código do front-end e as permissões de escrita.
"A oportunidade não é frear o vibe coding, mas elevá-lo." — Gal Nagli, chefe de exposição a ameaças da Wiz
Nagli disse que assistentes de IA que geram back-ends Supabase podem ativar o RLS por padrão, e que as plataformas de implantação podem varrer em busca de credenciais expostas.
Perguntas e respostas
Quantas chaves de API o Moltbook expôs?
A Wiz encontrou 1,5 milhão de tokens de autenticação de API, além de 35.000 endereços de e-mail e mensagens privadas entre agentes.
O que causou a exposição do banco de dados do Moltbook?
Uma chave de API pública do Supabase no JavaScript do site apontava para um banco sem políticas de Row Level Security, então a chave dava acesso total de leitura e escrita.
Os dados expostos foram usados de forma indevida?
O Moltbook protegeu o banco em poucas horas depois do relatório da Wiz. O SiliconANGLE informou que não havia indício de exploração dos dados antes disso.
A visão da MOZGII
Como nós construiríamos
Este caso é sobre um padrão que faltou, não sobre um ataque engenhoso. Um app construído depressa com ajuda de IA foi ao ar com um banco de dados que qualquer pessoa podia ler e escrever, e os agentes nele guardavam chaves de outros serviços nas mensagens.
Se estivéssemos construindo uma plataforma de agentes, começaríamos pelas regras de dados antes de qualquer funcionalidade. Toda tabela teria políticas de acesso desde o primeiro dia, com um teste que tenta ler e escrever nela como usuário anônimo e reprova o release se conseguir. Segredos nunca ficariam no código do front-end nem no texto das mensagens: um scanner bloquearia um deploy que levasse uma chave, e a plataforma detectaria e mascararia chaves coladas nas conversas.
Os agentes receberiam tokens com escopo, que expiram e podem ser revogados um a um, de modo que um vazamento exija trocar algumas chaves, não todas. O acesso de escrita a tudo que os agentes leem seria registrado e limitado, porque conteúdo editado vira instrução para todo agente que o ler.
Um assistente de programação pode escrever tudo isso, mas uma pessoa revisaria as regras de acesso e as verificações de release, porque são as partes que uma construção rápida pula. O plano quebraria onde a velocidade vence a revisão. A métrica que acompanharíamos é o número de tabelas acessíveis sem autenticação, que deve ser zero. Depois, montaríamos limites de requisições e uma verificação simples de que uma conta é quem diz ser.
Fontes
De onde vêm os fatos desta matéria.
- 01Hacking Moltbook: AI Social Network Reveals 1.5M API Keys | Wiz Blogwiz.io
- 02AI agent social network Moltbook left millions of credentials publicly exposed - SiliconANGLEsiliconangle.com
- 03AI agent social media network Moltbook is a security disaster - millions of credentials and other details left unsecured | TechRadarTech RadarTech Radar ProTech Radar GamingTech Radar Protechradar.com