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Autorização da FDA para o Ottava põe a J&J contra da Vinci

A autorização da FDA para o Ottava, anunciada pela Johnson & Johnson em 22 de julho de 2026, permite à empresa comercializar seu sistema de cirurgia robótica em vários procedimentos de cirurgia geral. O Ottava é o primeiro sistema para tecidos moles com braços robóticos embutidos na mesa cirúrgica, e a J&J diz que ele ocupa de 30% a 50% menos espaço do que os robôs montados em lança ou em carrinhos. Para os hospitais, ele traz uma segunda alternativa de grande empresa ao da Vinci, da Intuitive, começando por clientes selecionados nos EUA.

Por Mike Mozg4 min de leitura

Por que a J&J precisava de um robô próprio para tecidos moles

A divisão de medtech da J&J buscava uma forma de entrar na cirurgia assistida por robô, um mercado que a Reuters descreve como dominado pelo sistema da Vinci, da Intuitive Surgical. A Medtronic obteve a liberação da FDA para seu robô Hugo no fim de 2025. Empresas menores, como CMR Surgical, Distalmotion e Moon Surgical, também estão lançando robôs nos EUA. O MedTech Dive diz que isso dá à Intuitive sua primeira concorrência em mais de duas décadas.

O Ottava é a resposta da J&J. O MedTech Dive o chama de segundo grande desafiante do da Vinci em procedimentos de tecidos moles.

O que a FDA autorizou o Ottava a fazer

A FDA concedeu a autorização De Novo ao Ottava em vários procedimentos de cirurgia geral. A lista inclui bypass gástrico em Y de Roux, gastrectomia, colecistectomia, esplenectomia, gastrectomia vertical (sleeve), ressecção do intestino delgado, apendicectomia, fundoplicatura, correção de hérnia de hiato e lise de aderências, um procedimento para remover tecido cicatricial. Um estudo clínico nos EUA para correção de hérnia inguinal ainda está em andamento.

A decisão saiu apenas seis meses depois de a J&J apresentar o pedido à FDA. O analista Rick Wise, da Stifel, observou que isso ficou bem dentro do prazo previsto pela empresa, antes do fim do ano, e foi uma resposta relativamente rápida para uma decisão De Novo.

Como funciona um robô embutido na mesa

O Ottava é o primeiro sistema para tecidos moles a integrar braços robóticos à mesa cirúrgica. Movimentos sincronizados da mesa e dos braços facilitam reposicionar o paciente e alcançar vários quadrantes da anatomia. O sistema traz novos desenhos para instrumentos cirúrgicos de uso comum e se conecta a uma plataforma digital de integração de dados cirúrgicos.

"A robótica cirúrgica terá um papel cada vez mais importante no cuidado cirúrgico, mas está claro que o que definiu os últimos 25 anos da cirurgia não vai definir os próximos 25." Hani Abouhalka, chefe do grupo de cirurgia de medtech da J&J

O que a autorização da FDA para o Ottava muda para os hospitais

O argumento da J&J para os hospitais se apoia em espaço e fluxo de trabalho. A empresa diz que o Ottava ocupa de 30% a 50% menos espaço do que os sistemas tradicionais montados em lança ou em carrinhos, e que pode funcionar em salas cirúrgicas que antes não comportavam um sistema robótico. A J&J diz que o desenho busca simplificar os fluxos e aumentar a eficiência da sala cirúrgica. Essas são afirmações da empresa, e as fontes não trazem números de preço, custo por caso ou volume de casos.

Para um hospital cujas salas são pequenas demais para um robô em carrinhos, o efeito prático seria ter mais salas aptas a receber casos robóticos. Para um que já usa o da Vinci, é um segundo fornecedor a considerar.

Como a J&J planeja lançar o Ottava

A J&J disse que vai começar o lançamento comercial nos EUA com clientes selecionados, enquanto trabalha para somar indicações e mercados regulatórios ao longo do tempo. Tim Schmid, presidente mundial de medtech da J&J, disse que a empresa está "inaugurando uma nova categoria de robótica cirúrgica" com o sistema.

A autorização chegou uma semana depois de a unidade de dispositivos médicos da J&J ficar abaixo das estimativas de vendas trimestrais, o que a Reuters atribuiu à demanda mais fraca por suas bombas cardíacas Impella.

O que os analistas de Wall Street esperam do Ottava

Os analistas duvidaram que o Ottava vá ganhar terreno do da Vinci no curto prazo. Wise escreveu que o lançamento quase certamente seguirá uma abordagem cautelosa e em fases, que médicos e equipes vão precisar de muito treinamento e que as indicações ainda são limitadas. Ele acrescentou que a J&J agora "está no jogo" e pode melhorar o sistema com o tempo.

O analista Robbie Marcus, do J.P. Morgan, chamou o tamanho menor e o acoplamento único à beira do leito de argumentos de venda interessantes. Mesmo assim, ele espera que a Intuitive tenha uma perda de participação de mercado "muito modesta/irrelevante" ao longo do tempo e escreveu que é improvável que o Ottava a afete de forma significativa.

Perguntas e respostas

Para quais procedimentos o Ottava é autorizado?

A autorização cobre procedimentos de cirurgia geral, incluindo bypass gástrico em Y de Roux, gastrectomia, colecistectomia, esplenectomia, gastrectomia vertical (sleeve), ressecção do intestino delgado, apendicectomia, fundoplicatura, correção de hérnia de hiato e lise de aderências. A correção de hérnia inguinal ainda está em estudo clínico nos EUA.

Qual é a diferença entre o Ottava e o da Vinci?

Os braços robóticos do Ottava ficam embutidos na mesa cirúrgica, enquanto a maioria dos robôs cirúrgicos usa uma lança ou carrinhos. A J&J diz que isso economiza de 30% a 50% do espaço. Os analistas observam que suas indicações ainda são mais restritas do que a oferta mais ampla da Intuitive.

Quando os hospitais poderão ter o Ottava?

A J&J disse que vai começar o lançamento comercial nos EUA com clientes selecionados. As fontes não informam data nem preço para uma disponibilidade mais ampla.

A visão da MOZGII

Como nós construiríamos

Os robôs ajudam mais na medicina quando a parte difícil é um trabalho firme e preciso dentro do corpo, e quando o hospital consegue manter o robô ocupado. A segunda condição é onde muitos programas de robótica tropeçam, e é a parte que construiríamos para um lançamento em fases como este.

Montaríamos um painel de acompanhamento do lançamento que une três registros: a situação de treinamento de cada cirurgião e enfermeiro, os casos agendados no robô e os dados de caso que o próprio sistema envia à sua plataforma digital. Regras fixas, e não um modelo, decidiriam se uma equipe está habilitada para um determinado procedimento, porque a habilitação é uma decisão de segurança com um sim ou não claro. Um modelo poderia ajudar na tarefa mais flexível de prever o tempo de montagem a partir de casos anteriores. Um líder cirúrgico revisaria cada novo tipo de procedimento antes do primeiro caso.

Isso falharia onde os registros discordam: um curso de treinamento marcado como concluído em um sistema e ausente em outro, ou dados de caso que chegam atrasados. Trataríamos qualquer divergência como uma parada, e não como um palpite.

A métrica que acompanharíamos é o uso do robô por sala por semana nos primeiros hospitais. Um robô parado custa ao hospital tanto quanto um ocupado. Em seguida, compararíamos os resultados entre os hospitais por procedimento, para que cada um pudesse ver quais das cirurgias autorizadas suas equipes fazem bem e quais precisam de mais treinamento primeiro.

Fontes

De onde vêm os fatos desta matéria.

  1. 01J&J gets FDA authorization for Ottava robot, teeing up competition with Intuitive | MedTech Divemedtechdive.com
  2. 02Johnson & Johnson’s robotic surgery device gets FDA clearancebnnbloomberg.ca

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